A Força Aérea Mexicana iniciou oficialmente um amplo programa de modernização para substituir seus veteranos caças Northrop F-5E/F Tiger II, aeronaves que operam no país há mais de 40 anos e que atualmente representam a única capacidade supersônica de combate do México. O anúncio foi feito durante o Tulum Air Show 2026, evento realizado entre os dias 23 e 26 de abril, onde autoridades militares confirmaram que a meta é colocar um novo caça em operação até 2028.
A decisão marca um momento histórico para a Fuerza Aérea Mexicana (FAM), que busca modernizar sua capacidade de defesa aérea em meio ao envelhecimento da frota atual. Os F-5 mexicanos operam no Escuadrón Aéreo 401, baseado em Santa Lucía, próximo à Cidade do México, unidade responsável pela proteção do espaço aéreo da capital e por missões de interceptação, patrulha e ataque ao solo.
Durante o evento aéreo em Tulum, uma formação de três F-5 com pintura especial atraiu grande atenção do público e reforçou o simbolismo do caça para a aviação militar mexicana.
Os primeiros exemplares dos caças da Northrop chegaram ao país em agosto de 1982, quando o México recebeu dez F-5E monoplace e dois F-5F biplace. Desde então, a frota passou por décadas de operação intensa, incluindo missões de defesa aérea, treinamento avançado e demonstrações públicas.
Com o passar dos anos, o desgaste estrutural e a dificuldade de obtenção de peças reduziram significativamente o número de aeronaves disponíveis. Estimativas recentes apontam que apenas algumas unidades permanecem plenamente operacionais, apesar dos esforços da FAM para manter os caças em serviço através de programas de revitalização e recuperação de componentes.
O programa de substituição desperta grande interesse internacional e já conta com alguns candidatos considerados favoritos. Entre eles aparecem o Lockheed Martin F-16 Block 70, o Saab JAS 39E/F Gripen, o KAI FA-50 sul-coreano e o Leonardo M-346FA italiano.

O F-16 Block 70 surge como uma das opções mais fortes da disputa graças à sua ampla capacidade de combate, radar AESA de última geração, integração com armamentos modernos e grande presença operacional no continente americano. A aeronave já é utilizada por forças aéreas da América Latina, como Chile e Argentina, fator que pode facilitar treinamento e cooperação regional.
O Gripen E/F da Saab também vem ganhando força no cenário latino-americano, especialmente após a adoção do modelo pela Força Aérea Brasileira. O caça sueco é conhecido pelo baixo custo operacional, elevada capacidade de guerra eletrônica e avançados sistemas de sensores e conectividade. Além disso, a existência de uma estrutura de suporte regional no Brasil pode representar uma vantagem logística importante para o México.

Já o FA-50 da Korea Aerospace Industries aparece como uma alternativa de menor custo e implementação mais rápida. O modelo sul-coreano combina características de treinador avançado com capacidade de combate leve e tem conquistado espaço no mercado internacional após contratos firmados com Polônia, Filipinas e Malásia.

Outra aeronave em análise é o Leonardo M-346FA, versão de combate do treinador avançado italiano M-346. O caça leve europeu oferece capacidade multifunção, incluindo missões de ataque, apoio aéreo aproximado e defesa aérea. A participação da Itália como convidada especial da próxima edição da Feira Aeroespacial Mexicana (FAMEX) em 2027 poderá aumentar ainda mais a visibilidade do modelo junto às autoridades mexicanas.
Especialistas avaliam que o cronograma definido pela Força Aérea Mexicana é bastante ambicioso. Além da negociação da compra, a introdução de um novo caça envolve treinamento de pilotos, formação de equipes de manutenção, aquisição de simuladores, integração de armamentos e modernização de infraestrutura nas bases aéreas.
O programa de renovação da frota faz parte de um plano mais amplo de modernização das forças armadas mexicanas. Recentemente, o país também confirmou investimentos em novos aviões de transporte Lockheed Martin C-130J-30, helicópteros UH-60M Black Hawk, aeronaves Beechcraft King Air 360 e sistemas de vigilância aérea.
Nos últimos anos, o México ampliou suas operações de monitoramento de fronteiras, combate ao narcotráfico e vigilância do espaço aéreo nacional. A chegada de um novo caça supersônico deverá elevar significativamente a capacidade operacional da FAM e fortalecer sua interoperabilidade com parceiros internacionais, especialmente os Estados Unidos.
A escolha do sucessor do F-5 Tiger II também poderá influenciar o cenário estratégico latino-americano, em um momento em que diversas forças aéreas da região avançam em programas de modernização. Brasil, Argentina, Peru e Colômbia já iniciaram movimentos semelhantes para renovar suas capacidades de combate aéreo, indicando uma nova fase de investimentos militares no continente.
Enquanto a decisão final não é tomada, os históricos F-5 mexicanos seguem em atividade e continuam despertando admiração em apresentações aéreas. A próxima edição da FAMEX, prevista para 2027, poderá representar uma das últimas oportunidades para ver os lendários Tiger II do Escuadrón Aéreo 401 em voo antes de sua aposentadoria definitiva.





